Envio para todo o país
Uma raiz ancestral que atravessou gerações

Uma história cultivada no alto dos Andes

A história da maca não começa em laboratórios, suplementos ou tendências contemporâneas. Começa nas terras altas dos Andes centrais do Peru, em uma paisagem marcada pelo frio, pelo vento e pela altitude.

Conhecida botanicamente como Lepidium meyenii, a maca está historicamente ligada sobretudo às regiões de Junín e Pasco, especialmente à Meseta del Bombón, extensa área de altitude ao redor do Lago Junín — também chamado Chinchaycocha. É nesse território que se concentra a tradição mais bem documentada de seu cultivo.

Cultivo ancestral da maca peruana nos Andes

Uma agricultura no limite da altitude

A paisagem onde a maca se estabeleceu é a puna andina: planaltos praticamente sem árvores, submetidos a ventos fortes, grande exposição solar, geadas e temperaturas que podem cair abaixo de zero. Poucas culturas alimentares conseguem se desenvolver regularmente nessas condições.

Raiz de maca peruana

O cultivo tradicional acompanha o ritmo das estações andinas.

A semeadura ocorre normalmente no início do período de chuvas, por volta de setembro e outubro. As pequenas sementes são tradicionalmente lançadas manualmente sobre o solo preparado, muitas vezes misturadas com areia ou matéria orgânica para facilitar sua distribuição. Em determinadas comunidades, os agricultores utilizam campos que permaneceram vários anos em pousio ou fazem rotação com outras culturas andinas.

Durante meses, a planta permanece rente ao solo, formando uma pequena roseta de folhas enquanto desenvolve sua parte subterrânea.

A colheita ocorre geralmente entre maio e julho, cerca de sete a nove meses depois do plantio. Tradicionalmente, cada planta é retirada individualmente da terra, utilizando ferramentas manuais simples.

É um trabalho agrícola profundamente ligado ao conhecimento acumulado pelas comunidades da região.

Colher era apenas o começo

Depois de retirada da terra, a maca tradicionalmente passava por outro processo essencial: a secagem.

Nas comunidades produtoras, as plantas eram distribuídas ao sol e protegidas da umidade durante a noite. O clima frio e relativamente seco da puna favorecia a conservação do alimento. Fontes técnicas peruanas registram diferentes sistemas de secagem, desde a exposição tradicional ao sol até estruturas semelhantes a pequenas estufas desenvolvidas posteriormente para tornar o processo mais controlado.

A secagem tinha uma consequência particularmente importante para a vida nos Andes: permitia armazenar a maca por períodos prolongados.

Um alimento produzido durante uma época específica do ano poderia, assim, permanecer disponível muito depois da colheita. A pesquisa histórica de Michael Hermann e Thomas Bernet, publicada pela Bioversity International, destaca justamente a importância da maca desidratada na alimentação e no comércio tradicional da região.

Antes dos suplementos, havia comida

Durante a maior parte de sua história, maca significava simplesmente alimento.

Uma pequena parte da produção era consumida fresca durante a época da colheita. Uma das práticas registradas é a huatia, técnica tradicional andina na qual alimentos são assados no próprio campo utilizando terra e calor. No caso da maca, raízes recém-colhidas eram assadas em pequenos fornos de terra construídos próximos às áreas de cultivo.

A maior parte, entretanto, era seca.

Depois de desidratada, a maca podia ser reidratada, cozida ou transformada em diferentes preparações. Estudos etnobotânicos e registros sobre a alimentação regional descrevem seu emprego em mingaus e preparações espessas, como a mazamorra, além de bebidas e outras receitas domésticas.

Esses hábitos ajudam a compreender algo que se perdeu parcialmente quando a maca passou a circular internacionalmente em forma de pó: historicamente, ela não era um ingrediente exótico adicionado ocasionalmente à alimentação. Era uma cultura agrícola integrada à vida cotidiana das populações que habitavam algumas das regiões mais altas do Peru.

A maca também viajava

A altitude que tornou possível a especialização agrícola da maca também criava uma limitação: muitos outros alimentos não podiam ser produzidos ali.

Por isso, a economia das comunidades andinas dependia historicamente de relações entre diferentes pisos ecológicos.

Pesquisas sobre a história econômica da maca mostram que ela participava desse sistema de trocas entre as populações das terras altas e outras regiões.

Um dos registros históricos analisados por Hermann e Bernet remonta a 1562, quando Iñigo Ortiz de Zúñiga, ao descrever a região de León de Huánuco, registrou o uso da maca em trocas realizadas pelos habitantes de Chinchaycocha, no entorno do atual Lago Junín.

Há também referências do século XVI à agricultura praticada ao redor do lago. Pedro Cieza de León, autor da Crónica del Perú, descreveu por volta de 1550 o cultivo de raízes nessa região como uma das atividades agrícolas importantes ao lado da criação de animais.

Mais tarde, no século XVII, o jesuíta espanhol Bernabé Cobo registraria explicitamente a maca em seus escritos sobre o Peru e a relacionaria às regiões extremamente frias das terras altas.

Esses documentos são particularmente importantes porque permitem distinguir registros históricos de histórias que foram acrescentadas posteriormente à narrativa comercial da maca.

Uma cultura que quase permaneceu regional

Apesar de sua longa história, a maca permaneceu durante séculos fortemente vinculada aos Andes centrais.

A documentação técnica da PROMPERÚ identifica Junín e Pasco como seu principal território tradicional e destaca localidades próximas ao Lago Junín, como Huayre, Carhuamayo, Óndores, Junín, Ninacaca e Vicco.

Até o final do século XX, seu cultivo comercial ainda era relativamente restrito.

Foi principalmente a partir das décadas de 1990 e 2000 que a trajetória da maca mudou. O aumento do interesse comercial estimulou a ampliação das áreas plantadas, a criação de produtos processados e a entrada da maca nos mercados internacionais. O estudo da Bioversity International documenta essa transformação de uma cultura regional pouco conhecida fora dos Andes em uma cadeia agrícola voltada também à exportação.

O alimento que durante gerações era colhido, seco e preparado pelas famílias da puna passou então a aparecer em outros formatos, especialmente como farinha e pó, chegando a países muito distantes de sua região de origem.

Mesmo com essa expansão, a ligação cultural com Junín e Pasco permanece reconhecida oficialmente no Peru pela Denominação de Origem Maca Junín–Pasco.

Uma história que continua sendo cultivada

Ainda hoje, ao redor do Lago Chinchaycocha, pequenos agricultores continuam cultivando maca em altitudes superiores a quatro mil metros. Pesquisas recentes realizadas diretamente com produtores da região mostram que práticas como pousio, manejo manual e uso de matéria orgânica continuam fazendo parte dos diferentes sistemas agrícolas locais, ao mesmo tempo em que o crescimento da produção trouxe novos desafios para a conservação dos solos da puna.

A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) também documentou comunidades de pequenos produtores dos Andes centrais que ainda realizam manualmente diferentes etapas do cultivo e do processamento, incluindo colheita, lavagem, secagem e transformação da maca.

Assim, por trás do pó que hoje chega a diferentes partes do mundo existe uma história muito maior.

Uma história de altitude e estações.
De sementes lançadas à terra à mão.
De colheitas realizadas planta por planta.
De raízes secando sob o sol dos Andes.
De alimentos preparados em família e de trocas entre comunidades separadas por montanhas.

A história da maca é, antes de tudo, a história de um alimento andino e das pessoas que aprenderam a cultivá-lo em um dos ambientes agrícolas mais extremos do mundo.

Conheça as Macas Peruanas Krydder.

Krydder. Viver melhor todo dia.


Nota editorial

Este conteúdo é histórico, cultural e informativo. Reúne registros e pesquisas sobre a origem e o cultivo da maca e não representa alegações de benefícios autorizadas pela Anvisa, indicação terapêutica ou garantia de resultados. Não substitui a orientação de um profissional de saúde. Leia a Nota Editorial completa.

Quer conhecer as fontes?

INDECOPI (Governo do Peru) — Denominación de Origen Maca Junín–Pasco
Reconhecimento oficial da denominação de origem (Resolução 006065-2011/DSD) e caracterização de sua região de produção. Registro AO-903 na OMPI. Consultar o registro.

Dostert N. et al., 2009 — PROMPERÚ / Perúbiodiverso
Factsheet: Datos botánicos de Maca — Lepidium meyenii Walp. Documento técnico sobre botânica, distribuição, ecologia, cultivo, colheita e pós-colheita da maca peruana. Consultar o documento.

Hermann M.; Bernet T., 2009 — Bioversity International
The transition of maca from neglect to market prominence: Lessons for improving use strategies and market chains of minor crops. Estudo histórico e econômico dedicado à trajetória da maca. Consultar o estudo.

FAO — Mountain Partnership, 2020
Documentação sobre a maca andina e comunidades produtoras dos Andes centrais do Peru. Consultar a página.

Solórzano-Acosta R. et al., 2025 — Frontiers in Soil Science
Pesquisa de campo com agricultores da região do Lago Chinchaycocha, em Junín, sobre práticas atuais de cultivo e manejo do solo. Consultar o artigo.

Gonzales G.F., 2011 — Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine
Revisão etnobiológica sobre Lepidium meyenii, incluindo registros históricos coloniais sobre a maca. Consultar no PubMed.